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Dia Internacional da Enfermagem: empoderar é garantir condições para cuidar e proteger vidas

Em 12 de maio, Dia Internacional da Enfermagem, a Rede de Escolas e Centros Formadores em Saúde Pública da América Latina (RESP-AL) destaca o papel fundamental de enfermeiras e enfermeiros na proteção da vida e na sustentação dos sistemas de saúde. Para marcar a data, a RESP-AL publica uma reflexão da Dra. Olivia Sanhueza-Alvarado, presidenta da Associação Internacional de Escolas e Faculdades de Enfermagem (ALADEFE), sobre o sentido do tema central do Dia Internacional da Enfermagem estabelecido pelo Conselho Internacional de Enfermeiros (ICN) para 2026: “Enfermeiros empoderados salvam vidas”. Dra. Sanhueza-Alvarado defende que o empoderamento da Enfermagem deve ir além do reconhecimento simbólico, envolvendo autonomia na formação, condições dignas de trabalho e participação efetiva nas decisões sobre cuidado, orçamento e políticas públicas. 

 

Dra. Olivia Sanhueza-Alvarado

 

Confira, abaixo, a reflexão da Dra. Olivia Sanhueza-Alvarado: 

O que significa “Enfermeiras empoderadas salvam vidas” 

Significa que nos deixem proteger mais vidas. Não queremos agradecimentos. 

Na América Latina, nós enfermeiras sustentamos 80% do cuidado contínuo, 24 horas por dia, 7 dias por semana. Empoderar não é aplaudir, porque aplausos não bastam quando o cuidado sustenta o mundo.  

Empoderar é transformar: 

Na formação: transitar de um modelo biomédico subordinado a um modelo de currículos que ensinem autonomia clínica, prescrição, gestão de políticas públicas centradas nas pessoas, pesquisa e educação interprofissional para uma verdadeira prática colaborativa. A Organização Mundial de Saúde (OMS) confirma que investir em formação avançada em Enfermagem reduz em 24% a mortalidade hospitalar. 

Nas condições de trabalho: exigir aquilo que salva vidas. Uma maior proporção de enfermeiras profissionais reduz a mortalidade intra-hospitalar e os eventos adversos. Receber salário digno compatível com cinco anos de formação universitária ter e tolerância zero à violência. Na região, há países com apenas 1 enfermeira para cada 1.000 habitantes, enquanto a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) recomenda 9. Essa diferença pode ser fatal! 

Nos espaços de decisão: não haver mais enfermeiras convidadas a falar sem direito a voto. Precisamos de chefias de serviço, diretorias hospitalares, cargos em ministérios e assentos nos espaços onde as reformas da saúde são decididas. Evidências do ICN 2023 mostram que países com enfermeiras em posições de liderança sanitária alcançaram 30% mais cobertura vacinal e de Atenção Primária em Saúde (APS). Empoderar uma enfermeira é dar poder sobre o cuidado. E quando o cuidado tem poder, a vida vence. 

Empoderar é decidir sobre o cuidado, o orçamento e as políticas. Sem isso, o discurso é apenas adorno. Empoderar é deixar de romantizar o sacrifício. 

Porque quando uma enfermeira decide, um sistema inteiro muda. E quando muda, salva e protege vidas. 

Somos as que chegamos primeiro e saímos por último. As que seguram a mão quando tudo falha. As que fazem mágica com insumos que não chegam e com plantões que não terminam. Na América Latina, somos milhões cuidando com o coração nas mãos e as condições contra nós. 

Feliz dia às enfermeiras e aos enfermeiros, que cuidam e protegem vidas todos os dias, mesmo quando ninguém os vê. 

Dra. Olivia Sanhueza-Alvarado 

Presidenta da Associação Internacional de Escolas e Faculdades de Enfermagem – ALADEFE